O Pulmão das Oficinas

Seja na fábrica ou no canteiro, uma planta eficiente de ar comprimido é essencial para garantir o funcionamento das ferramentas pneumáticas em oficinas de manutenção

Deixe-se claro que não é uma analogia absurda comparar as plantas de ar comprimido com o pulmão humano. Afinal, são essas estruturas que enviam ar para o funcionamento dos componentes da oficina, como ferramentas para pintura dos equipamentos, limpeza das peças, jateamento, parafusamento e diversas outras soluções. Por isso, mantendo a comparação, é preciso cuidar da qualidade do ar emitido e, até mesmo, dimensionar corretamente o tamanho da planta de ar comprimido para cada situação.

O projeto elaborado deve considerar as necessidades de vazão e pressão para garantir o funcionamento de todas as ferramentas da oficina. Essa projeção torna-se útil também para gerenciar as plantas existentes, identificando os consumos específicos para ampliar o sistema e atender a novas demandas. Ampliações feitas sem projeto podem apresentar duplicação desnecessária de linhas, bem como outros fatores de custos igualmente dispensáveis.

GERENCIAMENTO

Assim, um plano de gerenciamento do sistema de ar comprimido supre essa necessidade e evita que a instalação torne-se subdimensionada ou precária, o que, além de criar problemas para a operação, traz aumento considerável nos custos de manutenção.

A pintura de proteção nos equipamentos, por exemplo, requer pressão suficiente na ponta da pistola para funcionar eficientemente. Se a pressão estiver baixa, o problema pode estar no compressor, responsável por comprimir o ar. No entanto, é possível também que o sistema esteja mal dimensionado para a quantidade de ar necessária na oficina. Nesse caso, a equipe de manutenção poderia desligar outras máquinas, como lixadeiras e esmerilhadoras, para levar mais ar à pistola de pintura, mas arcando com o prejuízo de manter outras ferramentas e funcionários parados.

Outro exemplo da falta de planejamento nas oficinas é o excesso de água na linha de ar comprimido, que resulta em paradas para drenagem manual da água condensada na tubulação. Para o especialista ouvido por M&T, a falta de ar no sistema pode ser resolvida com um projeto bem dimensionado, assim como um sistema de tratamento pode evitar a condensação na rede e outros custos desnecessários de manutenção.

COMPETÊNCIAS

Para garantir um sistema seguro de ar comprimido, devem ser considerados alguns pontos que ficam um pouco esquecidos em muitas instalações. Primeiramente, a empresa de instalação precisa ter conhecimento e experiência sobre o material a ser utilizado, bem como capacidade de atender adequadamente ao porte do cliente. Sobretudo, deve-se averiguar a experiência em instalações e estudos de caso, em vez de se pensar apenas no melhor preço.

Uma indicação pertinaz é solicitar cartas de capacitação técnica às empresas, inclusive de seus funcionários. O mais correto, aliás, é manter apenas profissionais experientes, com certificados de treinamentos e de habilitação técnica para cada função exercida, seja de encanador, soldador ou qualquer outra capacitação. Apenas após a confirmação da competência da empresa de instalação é que se deve pensar no quesito de materiais necessários.

Os mesmos critérios de escolha devem ser adotados em relação à qualidade dos materiais. Para lidar de forma eficiente e segura com ar comprimido, o especialista ressalta a importância em seguir os procedimentos de avaliação. Entre eles, a escolha dos fabricantes do material é um passo importante, avaliando sempre o histórico da empresa, garantias, normas técnicas e qualidade dos produtos, assim como a assistência técnica prestada após a instalação.

Além disso, é importante analisar até que ponto os materiais são intercambiáveis com outras tecnologias e marcas, o que pode interferir (ou até mesmo impedir) na ampliação ou modernização do sistema. Por isso, sempre que possível deve ser buscada uma padronização dos materiais, ajudando nos custos de manutenção e na formação do estoque de peças para manutenção da rede.

PREVENTIVAS

Periodicamente, todo sistema de ar comprimido deve passar por alguma vistoria, a fim de garantir uma operação segura. Nesse procedimento, o técnico deve realizar uma inspeção visual e identificar a necessidade de manutenção ao longo da rede e dos pontos de saída para ferramentas pneumáticas.

Uma das técnicas recomendadas pelo especialista é a utilização de um medidor ultrassônico, que identifica e quantifica as perdas causadas por vazamentos. Isso pode ser feito ponto a ponto, por máquina e até por setor de uma planta industrial, por exemplo. Esse mapeamento também pode ser realizado de forma geral, por meio de  medições de vazamento total no sistema e quantificação dos desperdícios e custos da planta.

A periodicidade indicada para essas vistorias no sistema de ar comprimido é gerenciada de acordo com a necessidade, mas depende de uma matriz de três fatores. O primeiro é o tipo de material empregado na confecção da rede, seguido do tratamento a que foi submetido e, por fim, o tipo de indústria na qual a rede de ar foi instalada.

Qualidade até debaixo d’água

A prova do expressivo avanço obtido pela indústria técnica de ar comprimido pode ser comprovada nas operações de submersão. Isso porque, além da utilidade para ferramentas e equipamentos pneumáticos, o ar comprimido também é a matéria-prima para permitir a respiração de operadores em trabalhos submersos ou qualquer outro serviço em espaços confinados, como câmaras hiperbáricas para tratamentos médicos. Nesse caso, a qualidade do ar respirável é constantemente analisada e, para garanti-la, algumas empresas oferecem análises quantitativas e qualitativas, de acordo com as normas vigentes da NBR 12543, para equipamentos de proteção respiratória, bem como da Anvisa, ISO 8573 e Farmacopea. No quesito qualidade, aliás, é possível analisar o teor de óleo, de particulados, de umidade e até executar análises bacteriológicas.

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